
a ressaca, arrastando tudo com sua força incontrolável
querendo tudo pra si, apagando todo e qualquer vestígio de existência
um afogamento em quimeras, em correnteza descontinuas,
engolindo peixes porque no mar não existem sapos...
noites me afogando, porque não sei andar na água
se quisessem que eu nadasse far-me-iam inteira peixe
Mar incerto de águas doces, docemente traiçoeiras
Fico a imaginar o que aconteceria num dia de eclipse
O peixe morreria sufocado, ou a cabra morreria afogada?
Os dois morreriam por ar, e aqui o que esta em questão é o mar...
Se passo as noites a sufocar-me em águas de quimera
E os dias a suportar o quietismo da inexistência deixado pela ressaca
Quando vou ter certeza que me afogo por estar ébria e acordo sóbria, ou se estou embriagada pelo oxigênio e a água gelada deixa-me sã?
O que me embebeda são as águas de quimera, ou a poeira de devaneio? Ou será que passo a vida toda ébria?
A única coisa que sei é que isso me dá uma tremenda dor de cabeça, dor de cabeça que nem um remédio resolve, ai ressaca!
...Sonhei que estava bebada e acordei com dor de cabeça, quando levantei não sabia se era uma ébria sonhando estar sóbria, ou se sou uma sobria que sonhei estar bebada...
(La Folle's adapitation)