A magia de unir versos, buscando a perfeição ate que sejamos todos um só verso, um universo.
Aos Críticos
"Aos Loucos e Raros"
Monday, November 29, 2010
Awen
Wednesday, November 17, 2010
O hiato

Nada pior para um
poeta do que um hiato,
um hiato em sua mente
Uma falha entre a mente
o coração e a alma
Então se falha também
a conexão entre as palavras
e coesão entre os versos
morre no papel a poesia
É como se soubesse
o que deve ser escrito e descrito
como se todas as palavras
as pontuações e as idéias
de um poema vagassem
por dentro de sua cabeça
Como um quebra cabeça
que você sabe que quando terminá-lo
será uma linda obra-prima,
mas por enquanto só tem as peças.
Como uma dislexia,
em que você tem suas idéias perfeitas
vagando pelo seu cérebro
mas não consegue expressa-la
através de sua boca
Expressa-se então pelo olhar
pelo sentimento, pelos sentidos.
O que não dá sentido
para entendimento do crítico
Separadas as palavras por Hiato
une-se tudo e criamos o abstrato
sem sentido nem razão na busca de coesão
Com um significado empírico
para o poeta, belo em seu imaginário,
mas nada que faça sentido para o leitor.
Esse nó que não desato é
ao meu verso é impertinente
Não é de certo meu poema
algo para enriquecer a mente
Pois não se trata
em seus tons e suas rimas
de algo que complete
já que esta incompleto.
Um pré texto
é um pretexto,
Para que aguardem então
pelo dia em que as partes
terão refeito sua conexão
E far-se-á a obra prima
Tuesday, October 12, 2010
O Arcano Zero , La Folle
O início, o vazio, antes do verbo
era somente Deus.
Zero, Zeus, Zéphyro, em toda sua simbologia
O ovo, o útero, a libertação
Nirvana, o nada, o além
o zero.
Dotado de não valor, confere valor aos outros.
Mas quanto ao zero a esquerda... o quanto vale?
É como o Arcano, depende de onde é colocado,
É como agente, onde nos colocamos...
Ainda que como zeros
podemos nos tornar grandes.
Basta saber onde se colocar.
O início de um novo caminho
Novas experiências, o presente
a liberdade do eu interior
Atirar-se para o desconhecido
sem temer sem prever.
A louca, a poeta, inspirada
um ser tocado pelo divino
Poder sempre falar a verdade.
Mas veja onde se coloca,
pois nesse caso direita
ou esquerda importa
O valor é uma coisa torta
confuso, por vezes obtuso
mas não sei dizer
se já pode ser colocado em desuso.
Thursday, September 02, 2010
Canto para Lua

Lua,
Minha luz de ninar
Me leve às estrelas me
Ensine a voar
Senhora, ilumine o caminho que devo trilhar
E pelos rumos da vida hei de aprender a andar
Mostre-nos a luz de teus olhos
Clareie a nossa visão
Para que ao mundo enxerguemos
Com coesão
Banhe-nos com seus raios de amor
Que tornam dia a escuridão da noite
E nos aconchegam em seu carinhoso frescor
Lua anciã nos abençoe
Com seu conhecimento
Ensine-nos sua paciência
Acorde-nos do nosso esquecimento
Lua Donzela
Os olhos da terra
Ensine a nós a leveza dos teus passos
E a sutileza de sua magia
Leve-nos por suas danças nas mais doces sinfonias
Lua mãe
Mostre-nos a essência do ser
É aprendendo com o seu amor
Que iremos todos Florescer
Seremos o seu jardim
O das mais diversas flores
E cantaremos todas as noites
Thursday, August 19, 2010
As margens de um rio
O passado e o futuro permitem a existência de um presente, no português.
O nascimento e a morte possibilitam o mistério da vida, na biologia.
As margens de um rio permitem que ele exista, na natureza.
A existência do meio depende dos extremos, literalmente e metaforicamente.
A média é o normal... as margens são os diferentes. Mas temos que lembrar que um rio só existe por causa de sua margem. Ou seja... O “normal” existe devido a existência do diferente...
Ser normal é estar na média, ser diferente é fazer parte do cálculo...
Então quando não existir mais margem, e todos forem normais e/ou diferentes os limites do rio se desfazem...a marginalidade é desfeita e então o rio se torna o infinito.
E diferente e normal não será mais que uma vaga lembrança de nosso período Holoceno.
Pois estamos todos nós presos pelas diferenças
Como se fossemos lógicos, matemáticos
feitos por um cálculo.
Como se fossemos verbos já conjugados
comandados pelo português
Ou quem sabe como se fossemos somente a vida
entre o nascimento e a morte descrita pela biologia
Como se fossemos condenados a permanecer
dentro das margens de nosso corpo como o rio
que existe na natureza.
Somos matemática, biologia, português, natureza
Somos feitos por um cálculo, somos verbos, somos vida e somos natureza...
Mas é mais que isso não é?
Não somos apenas o meio, digo aquele que está entre as margens
Pois somos também o meio, a forma de fazer,
Através do qual se pode chegar aos extremos
E quando chegamos aos extremos nós o compreendemos
e descobrimos que somos iguais.
E ai esta a chave que abre as portas do universo
do infinito, da humanidade, e de cada um de nós
que apesar de diferentes, somo tão iguais.
" Eu canto forte essa canção que encerra a comunhão da terra pela soma dos quintais, mas pergundo ao criador que fez a gente por que assim tão diferentes? para sermos iguais"
Thursday, July 29, 2010
O parto da idéia.

Deoris: De onde vêem as idéias?
La Folle: Ah eu não sei, se soubesse certamente iria até lá para buscar algumas.
Deoris: E porque algumas pessoas têm mais idéias do que outras?
La Folle: Não sei, Talvez porque estejam mais abertas para recebê-las
Deoris: E quem as manda?
La Folle: Mas que pergunta! Se soubesse quem as manda certamente lhe escreveria para que me mandasse umas melhores... O universo talvez!
Deoris: Ah... Será que as idéias nascem, crescem se reproduzem e morrem, ou será que elas sempre existiram e existirão?
La Folle: Eu parto da idéia de que são as duas coisas.
Deoris: Como assim?
La Folle: Bem elas existem no universo, mas elas podem nascer, crescer, se devolver, se reproduzir em nós.
Deoris: Como um parasita?
La Folle: Hahahaha... é pode ser como um parasita, mas isso vai depender a que tipo de idéias você vai deixar nascer e se desenvolver, ou as que você permitirá não nascer, ou não se desenvolver. Se formos considerar a biologia, acredito que também podemos comparar com o inquilinismo, a idéia pode se abrigar num hospedeiro temporário sem lhe exigir alimento, até que encontre alguém que poderá manifestá-la. Ou quem sabe protocoperação, você alimenta a idéia e ela te alimenta, mas você pode viver sem ela, e ela sem você. Mas acho que a maioria delas esta relacionada ao mutualismo, nós precisamos delas para continuar vivendo, e elas precisam de nos para continuar existindo, o que garante a continuidade da espécie.
Deoris: Nossa como as idéias são importantes né?
La Folle: Sem duvida... Sem duvida.
Deoris: Gostaria de saber e de ver, como elas nascem em nós, como é o tal Parto da idéia.
La Folle: E de onde nasceu essa idéia? Bom isso a gente pode imaginar, mas vai ser apenas uma idéia que nasceu e isso vai causar um ciclo sem fim. Não sei se é possível assistir ao parto da idéia.
Deoris: Talvez seja quando aquela lampadazinha aparece na cabeça da pessoa, e então ela olha para cima e coloca o dedo no queixo e fala: Ahhhh!
La Folle: Rs.... é pode ser. Mas acho que nem todos os partos são tão fáceis.
Deoris: Será que algumas idéias não vingam por causa dessa dificuldade de nascer?
La Folle: Acho que é possível, mas não é uma regra. Algumas idéias podem nascer fraquinhas, mas se você alimentá-las bem são capazes de crescer, enquanto outras podem nascer fortes, mas se não forem alimentadas elas morrem.
Deoris: Não seria crueldade deixar uma idéia morrer de fome???
La Folle: Depende, existem aquelas idéias que nem deveriam nascer. Mas se for uma boa idéia, então seria uma grande crueldade com você e com o mundo.
Deoris: Então o que faço se tiver uma grande idéia, tão grande que não seja capaz de alimentá-la??
La Folle: Acredito que neste caso você deve procurar alguém que possa alimentá-la, e não a esconder num baú e esperar que você tenha condições para tal, pois até lá ela pode estar morta de fome. Algumas pessoas acham que são donas das idéias, simplesmente por terem dado a luz a elas, mas diga-me Deoris que mãe é dona do filho? As idéias estão lá para serem pegas, todos nós temos acesso a elas, e elas não são de ninguém, se não de todos nós. Se denominar dono de uma idéia talvez seja um grande egocentrismo, o que só causa competições e desavenças.
Deoris: então uma idéia pode ser a arma, mas também pode ser a salvação.
La Folle: Isso mesmo, e isso vai depender de como as tratamos, de como as passamos e também de quem a recebe.
Deoris: Interessante, vou ficar mais atenta ao parto das ideias que chegam em mim...
Parto da idéia que ela tem vida.
E muitas vezes vontade própria.
Quase como uma alma, como um pensamento
Penso que elas ficam a boiar no firmamento
E são pescadas com varas de sonhos
Quanto melhor a sua isca, maior vai ser a sua idéia
Mas às vezes a pequenininha faz uma grande diferença
O tamanho não importa, desde que não seja torta.
Se não gostar muito da sua, não a jogue fora,
Devolva-a para o seu oceano no firmamento
E quem sabe alguém irá fisgá-la com contento.
Tuesday, May 11, 2010
Flor que resta
Banha-se em mares de tristeza
nossa grande Natureza
Nítidos e plácidos rios claros
percorrem seus destinos
escurecendo aos caminhos
Pássaros sussurram em meu coração
com medo da destruição
Do ar que nós vivemos não podemos confiar
Meu Deus ! O que havemos nós de respirar?
E vendo tamanha ingratidão o fogo queima
no coração de nosso mundo
inconformado com esse imenso absurdo,
de viverem para matar e destruírem para crescer,
inteligente observante até quando assim acontecer:
Reduzido a terra seca e árida nossos recursos
a fumaça cinza e carregada o nosso ar
a petróleo viscoso e preto nosso mar
E então finalmente o que tem valor na vida descobrirá
Depois de tudo destruído o homem correrá para salvar sua floresta
Esperançoso atrás da única flor que resta.
Sou grata à flor da vida
Sou grata,
Grata a terra pelos Seus frutos, pelo Seu abrigo,
à lua pelo Seu encanto
ò Deus como me encanta!
Sou grata,
Ao tempo pela Sua paciência
Ao mundo pela Sua presença
Ao presente por estar presente
E a vida pela Sua vinda.
Sou grata,
Ao vento pelos Seus suspiros,
Às flores pelo Seu perfume
Aos pássaros pelos passarinhos
Sou grata,
Às estrelas pelo Seu brilho
E aos meus olhos por enxergá-lo
Ao sol pelo Seu calor
À Deus pelo Seu amor
Como eu o amo.
"O amor é como a flor, tem que cultivar e a chama viva do amor jamais apagará"
Deoris
Thursday, April 08, 2010
Relicários
Não o recomendo para todas as pessoas, embora seja de grande ensinamento, recomendo apenas para aqueles que tenham estrutura para compreendê-lo.
Lembrei-me de pessoas de passagens, de conversas de mensagens, de lembranças e nobres sentimentos. Em cada noite que lia antes de dormir era como se uma grande limpeza se fizesse no meu quarto e como se aquela leitura afastasse-me a idéia de qualquer coisa assustadora do mundo. Foi como se o livro tivesse sido escrito para eu ler...prepotência?? Hm, quem sabe?
Aos atentos o mundo é belo,
cheio de magia
É sóbrio, e às vezes sombrio.
O mundo é mundo e verdadeiro
até que descobrirmos ser falso
Tudo depende de onde vivemos,
como e com quem vivemos,
o que vivemos
Viver o que vivemos é verdadeiro
até descobrimos, o que não é verdade
A relatividade, a singularidade, especificidade do ser
é incrivelmente misteriosa, sagrada e bela
O que torna tudo tão diferente???
Experiências, a rica recompensa por viver, relicários
Nós enxergamos aquilo que faz parte de nossa vida.
Aquilo que não nos cabe aos olhos, aquilo que nunca
fomos treinados para ver,
simplesmente é ignorado pelo sentido da “visão”.
Então, o que permite a nossa ignorância enxergarmos?
Como fazer para enxergar aquilo que nunca fomos treinados para ver?
É a simples questão de compreender a reciprocidade da vida:
"Abra-se para o mundo, e ele se abrirá para você."
“Quando os portugueses chegaram ao Brasil alguns índios avistaram de longe as caravelas e pensaram ser um tipo de animal, outros não conseguiam enxergar nada porque estavam diante de algo que seus olhos e seu cérebro não conseguiam assimilar, não estavam treinados para ver-las, simplesmente era como se não existissem.”
Sunday, April 04, 2010
Na busca pelo Universo

Na busca pelo verso perfeito
ainda perco minhas noites de sono
na certeza de que um dia irei encontrá-lo
durante um longo sonho.
Acordada ou dormindo? Isso eu não sei...
Estarei no estado de distraída
por estar concentrada por demais,
distraída do mundo e concentrada nos versos.
Mas fico a pensar desejosa:
Se algum dia encontra-lo, o verso,
se encontrá-lo por entre essas distrações concentradas
ou entre os sonhos em que durmo acordada
conseguiria passá-lo para palavras?
Então pesarosa de desejar compreendo,
desejando ainda não compreender,
que o mais belo verso nunca será descrito em
palavras.
O verso escrito nos sentidos dos homens
na verdadeira pureza da vida, na esperança
que preenche o vazio dos olhos chorosos.
O verso que desenvolve suas estrofes no crescimento do
Amor , na ternura imensurável do coração dos que
podem sentir o amor incondicional.
A união dos versos desenhados em todas as almas
que vibram em êxtase por seguir pelo caminho
do grande mistério, da grande força.
A alegria do reencontro das almas, das águas.
A saudade bonita daquilo que se viveu de tão belo
e a certeza de o que o mais belo ainda esta por vir.
Certezas que tomam o espírito
e que numa mistura de tudo
formam esse tal verso
que tanto procuro e de mim se esquiva.
A beleza do cheiros, das cores, das formas,
dos sabores, dos sorrisos, dos sentimentos, da natureza.
E que se esconde em cada ser presente no mundo,
no nosso e nos outros, no universo.
Universo que se encontra fora e dentro de cada um de nós
que um dia harmoniosamente poderemos junta-los
Todos! E então poderei não apenas lê-lo
com os olhos de minha alma,
Mas farei parte dele, sê-lo-ei , o uni-verso.
Tuesday, March 23, 2010
SerTerra

A relva verde, frágil, nova
brota por entre as pedras sufocantes
do asfalto.
As raízes fortes destroem
aquilo que o homem chama de
civilizado, buscando a umidade
que já não chega mais á terra
As flores afloram por entre os muros,
a natureza buscando saída com toda
naturalidade.
Nascendo e crescendo sozinha
Forçando, apesar de reprimida,
mostrando toda a sua vontade
de continuar viva.
A linda dança da sobrevivência,
Ensina-nos Terra, a sermos um
Para as palavras brotarem em mim como
As flores florescem nos muros, nos campos
Nos vasos...
Faz-me entender-te por intero,
para que as sementes em mim
plantadas tenham a mesma força
da relva nova e frágil, e possam nascer
entre as camadas de civilização de meu corpo.
Orienta-me, para que eu possa compreender
Seus pólos e direcionar meu caminho
Mostre-me essa dança de rodar em torno
Do sol, esse ballet entre as estrelas, ensina-me
Como dançar com a lua
Para que eu possa controlar meus ciclos
E minhas marés
Integre-me em seu seio, consuma-me
para que eu possa realizar a grandeza de ser
inteiro, de ser eu de ser você, de ser Terra e terra...
de compreender o paradoxo de ser tudo e todos
nada e ninguém...
Um ser, ser um, terra ... SerTerra ... Gaia