
Existem pessoas em nossas vidas que são como apontadores... Quando estamos grossos e traçando traços toscos, eles vem nos afinam, nos lapidam, e permitem que nossos traços tornem-se precisos e preciosos novamente.
Aprendi com alguém muito especial que as maiores dores que temos na vida vem de expectativas não atendidas, e que não precisamos suportar essas dores se não criarmos expectativas.
Viver com expectativas é viver um futuro que talvez nunca aconteça.
Então outro alguém igualmente especial nesses últimos tempos insistentemente me falou da importância de viver o presente, o simples fato de viver o presente talvez nos permitisse sentir menos dor, menos decepção, e sentir melhor e de forma profunda quando assim for necessário, e então vivemos as coisas intensamente, de forma a não precisar vive-las de novo.
Coisas fáceis de se fazer na palavra, mas difíceis de vivenciá-las.
Enquanto não atinjo a suprema arte e me desaponto, vou vivendo, vou crescendo e quando estiver madura quem sabe então eu consiga deixar a dor e simplesmente viver com a lembrança, com a memória, com as coisas e pessoas, com o presente.
Como um lápis
desenho minha vida
com bordas, com arabescos
com mimo, com carinhos
Desenho com simplicidade,
muitas vezes sem muita certeza
do que quero desenhar
Mas desenho...
Desenho sem rascunho
sem borracha
sem branquinho ou mata borrão
Sem preTexto
poetizo poesia
seguindo apenas
meu coração
Eu erro,
conserto e continuo
com cor, com dor
E então me canso,
me desaponto.
Os traços se esvaem sem
certeza, sem precisão
sem beleza,
monocolor sigo caminhando
Com traços toscos,
contrastes foscos
sem destino, sem foco
Até que alguém me aponte
Então sei por onde seguir
Afiada e lapidada
volto para o mundo
Doi deixar os pedaços
lascados para trás
Mas,
de ponta fina
volto eu a traçar, a trançar
Linhas tortas, mas precisas
caminho sem marcar fundo
o papel, às vezes branco
as vezes colorido, caminho
sem machucar ...
Hoje eu sou lápis...
Quem sabe amanhã eu possa apontar.