A magia de unir versos, buscando a perfeição ate que sejamos todos um só verso, um universo.
Aos Críticos
" Cada vez que o poeta cria uma borboleta, o leitor exclama: “Olha uma borboleta!”O crítico ajusta os nasóculos e, ante aquele pedaço esvoaçante de vida, murmura: — "Ah! sim, um lepidóptero...”"
"Aos Loucos e Raros"
Apresento minha grande contradição, o que posso mostrar de meu mundo, de meu ser, de meu são.
As médias, ponderadas ou aritméticas, existem devido à diversidade e os extremos dos algarismos que fazem partes do seu cálculo. Isso para a matemática. O passado e o futuro permitem a existência de um presente, no português. O nascimento e a morte possibilitam o mistério da vida, na biologia. As margens de um rio permitem que ele exista, na natureza. A existência do meio depende dos extremos, literalmente e metaforicamente. A média é o normal... as margens são os diferentes. Mas temos que lembrar que um rio só existe por causa de sua margem. Ou seja... O “normal” existe devido a existência do diferente... Ser normal é estar na média, ser diferente é fazer parte do cálculo... Então quando não existir mais margem, e todos forem normais e/ou diferentes os limites do rio se desfazem...a marginalidade é desfeita e então o rio se torna o infinito. E diferente e normal não será mais que uma vaga lembrança de nosso período Holoceno.
Pois estamos todos nós presos pelas diferenças Como se fossemos lógicos, matemáticos feitos por um cálculo. Como se fossemos verbos já conjugados comandados pelo português Ou quem sabe como se fossemos somente a vida entre o nascimento e a morte descrita pela biologia Como se fossemos condenados a permanecer dentro das margens de nosso corpo como o rio que existe na natureza. Somos matemática, biologia, português, natureza Somos feitos por um cálculo, somos verbos, somos vida e somos natureza... Mas é mais que isso não é? Não somos apenas o meio, digo aquele que está entre as margens Pois somos também o meio, a forma de fazer, Através do qual se pode chegar aos extremos E quando chegamos aos extremos nós o compreendemos e descobrimos que somos iguais. E ai esta a chave que abre as portas do universo do infinito, da humanidade, e de cada um de nós que apesar de diferentes, somo tão iguais.
" Eu canto forte essa canção que encerra a comunhão da terra pela soma dos quintais, mas pergundo ao criador que fez a gente por que assim tão diferentes? para sermos iguais"
Deoris: De onde vêem as idéias? La Folle: Ah eu não sei, se soubesse certamente iria até lá para buscar algumas. Deoris: E porque algumas pessoas têm mais idéias do que outras? La Folle: Não sei, Talvez porque estejam mais abertas para recebê-las Deoris: E quem as manda? La Folle: Mas que pergunta! Se soubesse quem as manda certamente lhe escreveria para que me mandasse umas melhores... O universo talvez! Deoris: Ah... Será que as idéias nascem, crescem se reproduzem e morrem, ou será que elas sempre existiram e existirão? La Folle: Eu parto da idéia de que são as duas coisas. Deoris:Como assim? La Folle: Bem elas existem no universo, mas elas podem nascer, crescer, se devolver, se reproduzir em nós. Deoris: Como um parasita? La Folle: Hahahaha... é pode ser como um parasita, mas isso vai depender a que tipo de idéias você vai deixar nascer e se desenvolver, ou as que você permitirá não nascer, ou não se desenvolver.Se formos considerar a biologia, acredito que também podemos comparar com o inquilinismo, a idéia pode se abrigar num hospedeiro temporário sem lhe exigir alimento, até que encontre alguém que poderá manifestá-la.Ou quem sabe protocoperação, você alimenta a idéia e ela te alimenta, mas você pode viver sem ela, e ela sem você.Mas acho que a maioria delas esta relacionada ao mutualismo, nós precisamos delas para continuar vivendo, e elas precisam de nos para continuar existindo, o que garante a continuidade da espécie. Deoris: Nossa como as idéias são importantes né? La Folle: Sem duvida... Sem duvida. Deoris: Gostaria de saber e de ver, como elas nascem em nós, como é o tal Parto da idéia. La Folle: E de onde nasceu essa idéia? Bom isso a gente pode imaginar, mas vai ser apenas uma idéia que nasceu e isso vai causar um ciclo sem fim. Não sei se é possível assistir ao parto da idéia. Deoris: Talvez seja quando aquela lampadazinha aparece na cabeça da pessoa, e então ela olha para cima e coloca o dedo no queixo e fala: Ahhhh! La Folle: Rs.... é pode ser. Mas acho que nem todos os partos são tão fáceis. Deoris: Será que algumas idéias não vingam por causa dessa dificuldade de nascer? La Folle: Acho que é possível, mas não é uma regra. Algumas idéias podem nascer fraquinhas, mas se você alimentá-las bem são capazes de crescer, enquanto outras podem nascer fortes, mas se não forem alimentadas elas morrem. Deoris: Não seria crueldade deixar uma idéia morrer de fome??? La Folle: Depende, existem aquelas idéias que nem deveriam nascer. Mas se for uma boa idéia, então seria uma grande crueldade com você e com o mundo. Deoris: Então o que faço se tiver uma grande idéia, tão grande que não seja capaz de alimentá-la?? La Folle: Acredito que neste caso você deve procurar alguém que possa alimentá-la, e não a esconder num baú e esperar que você tenha condições para tal, pois até lá ela pode estar morta de fome.Algumas pessoas acham que são donas das idéias, simplesmente por terem dado a luz a elas, mas diga-me Deoris que mãe é dona do filho?As idéias estão lá para serem pegas, todos nós temos acesso a elas, e elas não são de ninguém, se não de todos nós. Se denominar dono de uma idéia talvez seja um grande egocentrismo, o que só causa competições e desavenças. Deoris: então uma idéia pode ser a arma, mas também pode ser a salvação. La Folle: Isso mesmo, e isso vai depender de como as tratamos, de como as passamos e também de quem a recebe. Deoris: Interessante, vou ficar mais atenta ao parto das ideias que chegam em mim...
Parto da idéia que ela tem vida. E muitas vezes vontade própria. Quase como uma alma, como um pensamento Penso que elas ficam a boiar no firmamento E são pescadas com varas de sonhos Quanto melhor a sua isca, maior vai ser a sua idéia Mas às vezes a pequenininha faz uma grande diferença O tamanho não importa, desde que não seja torta. Se não gostar muito da sua, não a jogue fora, Devolva-a para o seu oceano no firmamento E quem sabe alguém irá fisgá-la com contento.
Hoje prazerosa e pesarosa, cheia de encantamento e vontades, terminei de ler “Nosso Lar”.
Não o recomendo para todas as pessoas, embora seja de grande ensinamento, recomendo apenas para aqueles que tenham estrutura para compreendê-lo.
Lembrei-me de pessoas de passagens, de conversas de mensagens, de lembranças e nobres sentimentos. Em cada noite que lia antes de dormir era como se uma grande limpeza se fizesse no meu quarto e como se aquela leitura afastasse-me a idéia de qualquer coisa assustadora do mundo. Foi como se o livro tivesse sido escrito para eu ler...prepotência?? Hm, quem sabe?
Aos atentos o mundo é belo,
cheio de magia
É sóbrio, e às vezes sombrio.
O mundo é mundo e verdadeiro
até que descobrirmos ser falso
Tudo depende de onde vivemos,
como e com quem vivemos,
o que vivemos
Viver o que vivemos é verdadeiro
até descobrimos, o que não é verdade
A relatividade, a singularidade, especificidade do ser
é incrivelmente misteriosa, sagrada e bela
O que torna tudo tão diferente???
Experiências, a rica recompensa por viver, relicários
Nós enxergamos aquilo que faz parte de nossa vida.
Aquilo que não nos cabe aos olhos, aquilo que nunca
fomos treinados para ver,
simplesmente é ignorado pelo sentido da “visão”.
Então, o que permite a nossa ignorância enxergarmos?
Como fazer para enxergar aquilo que nunca fomos treinados para ver?
É a simples questão de compreender a reciprocidade da vida:
"Abra-se para o mundo, e ele se abrirá para você."
“Quando os portugueses chegaram ao Brasil alguns índios avistaram de longe as caravelas e pensaram ser um tipo de animal, outros não conseguiam enxergar nada porque estavam diante de algo que seus olhos e seu cérebro não conseguiam assimilar, não estavam treinados para ver-las, simplesmente era como se não existissem.”
A relva verde, frágil, nova brota por entre as pedras sufocantes do asfalto.
As raízes fortes destroem aquilo que o homem chama de civilizado, buscando a umidade que já não chega mais á terra
As flores afloram por entre os muros, a natureza buscando saída com toda naturalidade.
Nascendo e crescendo sozinha Forçando, apesar de reprimida, mostrando toda a sua vontade de continuar viva.
A linda dança da sobrevivência, Ensina-nos Terra, a sermos um
Para as palavras brotarem em mim como As flores florescem nos muros, nos campos Nos vasos...
Faz-me entender-te por intero, para que as sementes em mim plantadas tenham a mesma força da relva nova e frágil, e possam nascer entre as camadas de civilização de meu corpo.
Orienta-me, para que eu possa compreender Seus pólos e direcionar meu caminho
Mostre-me essa dança de rodar em torno Do sol, esse ballet entre as estrelas, ensina-me Como dançar com a lua
Para que eu possa controlar meus ciclos E minhas marés
Integre-me em seu seio, consuma-me para que eu possa realizar a grandeza de ser inteiro, de ser eu de ser você, de ser Terra e terra... de compreender o paradoxo de ser tudo e todos nada e ninguém...
Imagine só ser uma nuvem mãe da chuva Guarda-la no ventre e deixa-la partir Quando assim desejar.
O parto das águas, que belo! Derramar a chuva e molhar a terra.
Imagine só ser uma nuvem Em quanto se desfaz em partículas E iluminada pelo sol tornar-se arco-íres
Com tanta leveza e sutileza Permite que a luz do sol Transpasse por ela, iluminado cada atomo
Ai, imagine ser uma nuvem Numa noite estrelada Ser preenchida pela suave luz da lua E fazer parte do brilho de sua aureola angelical
Pois então imagine Numa tempestade deixar-se levada pelo vento Para os mais distantes e distintos lugares na fúria da Terra lançar raios e bufar trovões chuviscar na maré revolta e enroscar-se em suas ondas
Fazer-se neblina para embelezar o alvorecer Anunciando o calor que da terra irá crescer
Carinhar a terra, Orvalhar as belas flores e folhas Em quanto todos estão dormindo Sonhando e viajando, passando bem pertinho
Transmutar-se e transformar-se para os olhos dos atentos Pela vontade de Deus
Ah sim! e olhar os passarinhos Costurando o ar, o céu e as nuvens Como tudo sendo uma coisa só
E então quando cansar de ser nuvem Se desfazer no ar... quem sabe então, ser alguma outra coisa Imaginou?